Além da dívida: por que nos endividamos e como acabar com este círculo vicioso?

Além da dívida: por que nos endividamos e como acabar com este círculo vicioso?



Se você vive batalhando para pagar suas contas, por que continua a se endividar? A falta de educação financeira é a grande responsável pelos nossos gastos excessivos.

De acordo com um estudo feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a proporção de famílias brasileiras endividadas chegou a 60% em 2017, o que representa um crescimento com relação ao ano anterior.

A maioria das pessoas não tem bons hábitos financeiros e não planeja suas despesas como deveria, o que resulta em um círculo vicioso: toda a renda é comprometida e, por isso, novas dívidas são geradas.


Como anda a sua educação financeira?

Você se considera um bom administrador das suas finanças pessoais? Que estratégias você costuma usar para controlar os seus gastos? É possível mudar maus hábitos financeiros?

Se você ainda não cultiva bons hábitos e não faz ideia do que é um planejamento de ganhos e gastos, saiba que não é o único. Grande parte da população possui alguma inadimplência.

O principal motivo que leva as pessoas ao acúmulo de dívidas é justamente a falta de educação financeira, ou seja, não avaliar as condições financeiras presentes e futuras antes de fazer novas compras, por exemplo.

Isso nos leva a outro fator que está intimamente relacionado ao endividamento: o imediatismo. Muitas das coisas que compramos não são exatamente necessárias, são adquiridas por impulso.

Somado a isso, há também a falta de hábito de guardar dinheiro - isso porque o hábito mais comum é gastar tudo que se tem e mais um pouco. Lembre-se: não importa o quanto você ganhe, se não tiver educação financeira, quanto mais altos forem os seus rendimentos, maiores serão as suas dívidas.

Prova disso é que existem pessoas que sobrevivem com salários baixos e dão conta de manter todas as suas despesas em dia, enquanto outros, em condições bem melhores, não conseguem sair do círculo vicioso das dívidas e continuam comprando cada vez mais.

Você se engana se pensa que a solução para acabar de vez com as pendências financeiras é conseguir mais dinheiro. O que vem fácil vai fácil... e ganhar na loteria não vai te deixar rico se você não souber administrar os seus gastos.

Um dinheiro alto como esse poderia te levar a dívidas ainda maiores porque é muito fácil se adaptar ao luxo e ao consumismo excessivo. Antes que você perceba, todo o dinheiro terá acabado e terá deixado para trás contas e mais contas.

Alguns especialistas em educação financeira acreditam que a nossa sociedade sofre de uma falta de propósito de vida, falta de objetivos, sonhos e aspirações, como se as pessoas estivessem vivendo no piloto automático, sem pensar nos motivos que as levam a trabalhar e gastar.

Será que viver endividado é herança de comportamento dos pais?

Nossos comportamentos e hábitos são moldados ao longo da vida e começam a ser adquiridos ainda na infância, quando nos espelhamos nas pessoas ao redor, principalmente nos nossos pais, para criar nosso próprio repertório, nossas crenças e condutas.

Com a educação financeira não é diferente. O que seus pais te ensinaram pode ser a causa das suas dívidas. A relação que você construiu com o dinheiro, com o “ter” e o “poder”, pode ter sido ensinada no contexto familiar, mesmo que de forma indireta.

Hábitos de consumo são transmitidos entre as gerações: os seus pais são também seus professores de administração financeira — aliás, não seria má ideia se essa disciplina também fosse ensinada nas escolas.

Sendo assim, se os seus pais tinham o costume de esbanjar ou se sempre compraram tudo o que você queria, a tendência é que você siga esse padrão de comportamento. Para piorar a sua situação, os apelos de consumo não eram tão fortes quanto são hoje.

Hoje em dia, há ainda os atrativos da era virtual, com os e-commerces tentadores e a praticidade de comprar qualquer coisa com apenas alguns cliques, no conforto de casa, diretamente do celular!

Por outro lado, você também pode ter aprendido que não é certo viver em função do dinheiro e que isso não traz felicidade. Se os seus pais se referiam ao dinheiro como algo sujo e ruim e alegavam que as pessoas ricas possuem valores invertidos, você pode ter desenvolvido hábitos que impedem a sua evolução financeira.

Você pode não concordar, mas a verdade é que são as suas crenças, pensamentos e valores que impedem você de conseguir ganhar mais dinheiro e se livrar do círculo vicioso das dívidas.

O livro “Os Segredos da Mente Milionária”, do americano T. Harv Eker, aborda exatamente essas questões e afirma que cada um de nós tem um modelo mental de dinheiro, que é cultivado desde a nossa infância e que determina o nosso destino financeiro.

Partindo disso, o autor apresenta os modos de pensar e agir que levaram os ricos à essa condição, o que sugere que bastaria modelar nossos pensamentos com a mentalidade da riqueza para termos mais chances de conquistar a sonhada independência financeira.

Você tem o hábito de poupar ou prefere esbanjar o dinheiro extra?

É fato que nós vivemos em uma sociedade altamente consumista. Nesse cenário, o embate entre “guardar dinheiro ou aproveitar a vida” ganha todo tipo de argumentação, das respostas automáticas às mais filosóficas.

Pessoas que preferem gastar livremente e não conseguem se dedicar a um planejamento financeiro, costumam se defender usando as seguintes frases:

Nunca sobra dinheiro para poupar
Dessa vida não vamos levar nada
Adianta me privar agora, se no futuro não vou ter saúde para aproveitar meu dinheiro?
Na verdade, esses e outros argumentos são desculpas que encontramos para justificar aquilo que não conseguimos fazer, ou seja, são pretextos para manter nossa falta de educação financeira.

Acontece que, quanto mais repetimos essas frases em nossa mente, mais reforçamos nossos comportamentos indisciplinados. Isso também é autossabotagem.

O intuito aqui não é afirmar que o correto é guardar todo o seu dinheiro pensando somente no futuro e se privar de curtir a vida hoje. Mas, você deve compreender o quanto é imprudente gastar tudo o que tem, e o que não tem, no presente, simplesmente porque essa atitude te impede de alcançar objetivos maiores.

Como você vai conseguir comprar a casa própria, fazer uma viagem ou até proporcionar uma situação confortável para sua família se você prioriza seus gastos com coisas menores?

Também é importante lembrar que, com o avanço da idade, nossa capacidade de gerar renda diminui e nossas habilidades cognitivas e motoras começam a declinar. Isso é inevitável. Será que você vai ter dinheiro para se manter ou vai precisar da ajuda de outras pessoas?

Com um bom planejamento financeiro, você vai ver que é possível poupar parte da sua renda para o futuro sem deixar de aproveitar a vida, desde que você encontre uma estratégia que funcione.

Por exemplo: o que você faz quando ganha um dinheiro extra? Você gasta no mesmo dia, comemorando esse ganho a mais, ou coloca na poupança?

Comece a observar os seus hábitos financeiros e faça mudanças graduais. A princípio, você pode poupar 1% dos seus ganhos e, aos poucos, pode aumentar esse valor, de forma que não comprometa suas despesas.

Toda e qualquer habilidade pode ser desenvolvida quando temos disposição e dedicação para isso. A única coisa que pode impedir você de desenvolver a sua educação financeira é a sua própria falta de vontade.  

Por que nos endividamos continuamente? Existe um fundo emocional nesse comportamento?


A impulsividade na hora de fazer compras revela uma conduta imatura, levemente mais equilibrada do que aquela que as crianças apresentam. Não há birras, mas há o mesmo sentimento quase incontrolável do “eu quero”.

Pessoas com comportamento financeiro mais maduro são capazes de planejar, avaliar as condições e até enfrentar a frustração com naturalidade, quando sabem que não podem comprar algo. Mas esse não é o caso da maioria, segundo estudo da CNC.

Isso faz pensar no quanto as emoções influenciam nossos comportamentos, em todos os sentidos. Por exemplo, pessoas que não conseguem emagrecer porque se tornaram escravas da “fome emocional”, a comida se tornou um meio para nutrir as emoções delas que estão em desequilíbrio.

O mesmo acontece na relação entre finanças e emoções. As pessoas que não conseguem organizar sua vida financeira e continuam se afundando em contas certamente também possuem emoções mal administradas. Uma coisa leva à outra: eu compro para me sentir melhor, mas me sinto mal por fazer novas dívidas.


Entenda que a sua renda nunca vai ser superior ao seu desenvolvimento pessoal. Não importa o quanto você ganhe, se você não conseguir gerir suas emoções, tampouco será capaz de controlar as suas finanças.

Para ter educação financeira, muitas questões precisam ser trabalhadas, como o equilíbrio emocional e a alteração de crenças, valores e condutas relacionadas ao dinheiro. A partir disso, você impulsiona o seu desenvolvimento pessoal, aprende a ganhar mais e a administrar os seus ganhos.

Quais os segredos de um bom planejamento financeiro?

Não existe segredo, existe gestão contínua! Mas para que você comece a organizar suas despesas e a avaliar os pontos em que pode melhorar, aqui vão algumas dicas:

Trabalhe com planilhas
A melhor forma de saber onde você está gastando mais é fazendo uma planilha de controle de gastos. Assim, você pode acompanhar todas as suas despesas e saber onde você pode economizar. Não se esqueça de registrar absolutamente tudo o que entra e tudo o que sai das suas finanças, para ter um controle detalhado.   

Avalie quais são as compras necessárias e as que podem ser adiadas
Antes de comprar, pare e pense se você realmente precisa daquilo. Lembre-se de assumir um comportamento maduro e pergunte-se: isso é necessário para mim ou “eu quero” (como a criança na loja de brinquedos)?

Concentre-se nas suas prioridades, controle seus impulsos e aceite que algumas compras podem ser deixadas para outra oportunidade.

Tenha metas e objetivos de curto e longo prazo
As metas e objetivos são recursos que nos motivam, que nos impulsionam para seguir adiante. Por isso, você não pode deixar de definir metas de curto prazo e objetivos de longo prazo para conseguir manter o seu planejamento financeiro.

As metas de curto prazo, como um valor “x” que você precise poupar todo mês, são importantes para que você mantenha o foco e não ultrapasse os limites de gastos mensais. Os objetivos de longo prazo são os sonhos maiores, que vão sustentar a sua jornada financeira, como uma viagem internacional, um novo apartamento, etc.

Pense numa reserva para emergências
Imprevistos acontecem e qualquer pessoa pode passar por isso. O carro quebrou, alguém da família adoeceu, apareceu a cobrança de uma conta que você nem se lembrava mais.

Esses e muitos outros contratempos prejudicam ainda mais o seu controle de gastos. Nesses momentos, uma tábua de salvação é ter uma reserva financeira para emergências.  

Viva de acordo com a sua realidade econômica
O problema de muitas pessoas que vivem endividadas é tentar viver acima de seu padrão de vida. Não se preocupe tanto em ostentar acessórios de marca, muito menos se importe com o que os outros vão pensar se você não puder demonstrar o mesmo estilo de vida que eles.

Respeite suas limitações econômicas, mantenha os pés no chão e viva de acordo com a sua realidade. O seu esforço de hoje será recompensado amanhã.

Entenda as emoções que te movem para as dívidas
Por fim, conheça-se! Compreenda quais são as emoções que estão contribuindo para os seus problemas financeiros, aprenda a identificar as crenças que estão te limitando. Busque ajuda para encontrar equilíbrio e evoluir. O coaching de desenvolvimento pessoal é um aliado nessa jornada.

Você viu quantas questões estão por trás da educação financeira? Não se trata apenas do modo como você gasta o seu dinheiro, mas de toda a bagagem mental e comportamental que te leva a agir assim. Então assuma o controle das suas finanças e também da sua vida.


Por: Henrique Sanches
Postado em: 02/05/2018

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